Cena 2- variações do mesmo tema
E se, de repente, ela percebesse que em cada um deles tem um pedacinho de si? A liberdade em um, a loucura no outro, a sensualidade na outra....Seria mesmo assim? Você vai juntando os cacos de você que encontra num sorriso, numa palavra ou gesto alheio? E fica dias, meses e anos tentando montar esse quebra- cabeça de mil faces? E pela primeira vez consegue ver como é o vaso por inteiro e reconhece seu rosto no espelho? E diz: 'Ólá! Nossa, como você é bacana!" É assim?
Ela não sabia pra quem fazer as perguntas. E achou esse papo de falar com espelho digno de historinha pra crianças...
Escrito por tha_alonso às 23h16
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Cena 1- Constatação
E ela chorou o seu choro mais sentido, mais puro.... Fazia muito tempo que isso não acontecia. Está acostumada a provocar emoção em si mesma, mesmo nas horas em que não está nem um pouco triste. Faz parte do seu trabalho. E aquele momento aconteceu de maneira tão espontânea que ela demorou para se dar conta de que não era só a agua quente do chuveiro que caia sobre seu rosto. Olhou-se no espelho e viu o nariz e bochechas vermelhas. Os olhos bem verdes, como sempre acontecia... E se sentia frágil, quase criança. Aquela constatação não podia ser verdadeira. Tinha que ser efeito de outras coisas. Pensava que podia estar confundindo as histórias. A realidade e ficção. Personagem e atriz. Desejo e fato. Droga! Deixou escapar um momento tão doce por causa dessa mania de racionalizar tudo...
Escrito por tha_alonso às 02h11
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